Bennie Salazar, para quem “a nostalgia era o fim da linha”, esconde uma confissão atravessada na garganta: nutre ódio pela indústria musical à qual dedicou toda a sua vida. Um dos personagens centrais de A visita cruel do tempo, obra premiada de Jennifer Egan, o ex-punk e agora magnata da indústria fonográfica reflete sobre a música que ele e seus amigos curtiam na Bay Area da década de 1970 em contraponto ao que a sua gravadora, a Sow’s Ear Records, oferece ao mercado. Aquele som sujo, agora inexistente ou emulado digitalmente, condensa o que ele descreve como a “sensação de estar ouvindo músicos de verdade, tocando instrumentos de verdade em uma sala de verdade”. Com o tempo, o adolescente que sonhava em levar sua banda punk, The Flaming Dildos, para tocar em Mabuhay Gardens, na Broadway, se envergonha do som que ele e seus amigos constroem diariamente: cascas frias, sem alma em que tudo não passa de efeito. E, por mais que Bennie trabalhe e se empenhe para oferecer às pessoas músicas que elas possam amar, ele sabe que o som, na verdade, é uma merda, limpo demais, perfeito e digitalizado demais. Leia mais: http://migre.me/9GSiO
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